segunda-feira, 12 de abril de 2010

O Profissional das Ciências "Ocultas"

No livro "O ABC do Ocultismo", Papus – pseudônimo do médico francês Gerard Anaclet Vincent Encausse (1865-1916) – faz uma analogia entre a ciência antiga e a ciência vigente. A ciência vigente da época, pós-renascentista, por se apegar a detalhes, ele chamou de "analítica e experimental". A antiga, em vista do seu caráter holístico, ele chamou de "sintética e filosófica":

 

 

Ciências Antigas (sintéticas e filosóficas)

Ciências Vigentes (analíticas e experimentais)

Alquimia

Química

Magia

Física e História Natural

Astrologia

Astronomia

Hermetismo

Medicina

Cabala

Matemática

 

No período do Renascimento (séc. XIV a XVII, aproximadamente), ocorreu uma cisão no conhecimento científico, originando as Ciências Vigentes que, apesar de sua origem incontestável a partir das Antigas, rejeitaram-nas e estigmatizaram-nas. Entretanto, as mesmas permaneceram sob o nome de "Ciências Ocultas". Hoje é evidente a crise nas Ciências Vigentes ou Atuais justamente por causa da falta de coesão entre suas incontáveis subdivisões e também por não perceberem o ser humano como um ser integral e integrado ao planeta Terra. Como sabemos, a História é tão cíclica quanto o movimento planetário, e hoje percebemos uma crescente valorização das Ciências Antigas promovendo a ampla divulgação de oráculos, terapias alternativas, técnicas de auto-conhecimento, medicina chinesa etc.

 

O "cientista antigo ou oculto" dominava ampla e profundamente o conhecimento de Alquimia, Magia, Astrologia, Hermetismo e Cabala para poder ser reconhecido e conseguir investigar e resolver os problemas da humanidade na época, sejam eles físicos, psíquicos ou espirituais. E, hoje em dia, além de atualizados, todos estes conhecimentos também deveriam constar no currículo básico dos profissionais hoje em dia conhecidos como astrólogos, tarólogos, terapeutas holísticos e outras derivações. Só que não é o que acontece. A proscrição e a falta de regulamentação nestas profissões permitem uma diversidade de adivinhos e operadores de oráculo que, na maioria das vezes, não tem noção de Astrologia e Cabala, por exemplo, mas profetizam vários detalhes de qualquer que seja o assunto em questão. São pessoas que já nascem com o dom natural da mediunidade, ou da clarividência, cuja função não tem nada a ver com os profissionais do esoterismo, que necessitam do conhecimento das Ciências Antigas. Claro que todo o astrólogo, tarólogo ou cabalista vai usar a intuição. Mas a intuição é inerente a todo o ser humano e qualquer profissional de qualquer uma das ciências acima a utiliza nos seus processos.

 

Mas, trabalhar com 100% da sua intuição, mediunidade ou clarividência já é outra coisa.

 

Na Astrologia, o planeta responsável pela nossa intuição é Netuno. Portanto, dependendo do estado cósmico de Netuno no momento do nosso nascimento, podemos ser agraciados com o poder mediúnico ou paranormal. A "sombra" de Netuno, o lado negativo – como tudo na vida humana, segundo o Hermetismo, tem sua polaridade positiva e outra negativa – acarreta ilusões e enganos. Daí que, as chances de um paranormal, que utiliza exclusivamente seu poder e conexão facilitada com o "outro lado", sem preparo ou estudo das Ciências Esotéricas, correr o risco de falhar e, até mesmo, prejudicar seu cliente numa consulta, são grandes.

 

O objetivo principal do profissional das ciências esotéricas – esotéricas sim, já temos discernimento o suficiente para compreender e buscar muitos conhecimentos, antes limitados a grupos "iniciados", tornando-as "ocultas" – é desenvolver o livre arbítrio do consulente através do auto-conhecimento. Que graça teria a vida se tudo fosse adivinhado ou líquido e certo? Como seria nosso processo evolutivo se já soubéssemos o que virá depois de amanhã? A orientação astrológica e a análise tarológica promovem a essência divina do ser humano, sua auto-confiança nas próprias decisões tomadas com base na sua Vontade Suprema. Os erros e acertos são meras lições no meio do Caminho da Vida e é com eles que vamos alcançar a independência, a inovação, o holismo e a racionalidade próprias na Nova Era, ou Era de Aquário.

 

O investimento nos estudos do profissional das ciências esotéricas, seja ele econômico ou  temporal, é grande e vitalício. Nenhum cientista pára de estudar ou de pesquisar, já perceberam? Nem o astrólogo, o tarólogo e o cabalista. Apesar de que "errar é humano", como se diz por aí e até podemos elencar os erros da ciência vigente, atual ou oficial, não é possível haver erro nas previsões astrológicas, por exemplo. O que existem são dados de nascimento errados ou um profissional sem conhecimento amplo da ciência que aplica.

 

Humildade também é fundamental nesta profissão. Em muitos casos, principalmente na Astrologia, o ego do profissional tende a inflar, pois os clientes que começam a entrar em sintonia com seu Eu Superior devido às orientações e das previsões astrológicas, começam a ter uma vida mais equilibrada e, consequentemente, próspera em todos os sentidos. E ele admira o astrólogo que, baseando-se em símbolos e movimento planetário, consegue delimitar fases de mudança, de atrasos, de desafios, de facilidades que, do ponto de vista do leigo, parecem adivinhações ou milagres. É apenas a dedicação a uma ciência que, apesar de proscrita nos dias atuais, permanece viva como uma ferramenta de ajuda e auto-reconhecimento da divindade dentro de cada um de nós.